Com mais de R$ 200 bilhões em projetos anunciados e um novo marco legal que libera R$ 18,3 bilhões em incentivos, o Brasil se posiciona como líder na economia do hidrogênio de baixa emissão, impulsionando a transição energética e a neoindustrialização.

O Brasil está emergindo como uma potência global na produção de hidrogênio verde, consolidando sua posição como uma nova fronteira energética. Impulsionado por um robusto arcabouço de políticas públicas e um volume crescente de investimentos, o país se prepara para liderar a transição para uma economia de baixo carbono. Em 2025, o cenário se mostra extremamente promissor, com mais de R$ 200 bilhões em projetos anunciados e um novo marco legal que oferece segurança jurídica e incentivos fiscais para destravar o potencial do setor. Esse movimento está alinhado com a estratégia da Nova Indústria Brasil (NIB), que busca a reindustrialização nacional com base na sustentabilidade e na inovação, sendo o hidrogênio verde um vetor energético estratégico para a descarbonização de setores críticos como o industrial e o de transportes.
O Novo Marco Legal e o Cenário de Investimentos
A recente aprovação da Lei nº 14.990/2024, que institui o marco legal do hidrogênio de baixa emissão de carbono, foi um divisor de águas para o setor. A legislação liberou R$ 18,3 bilhões em incentivos fiscais para a produção e aquisição de hidrogênio verde, com vigência de cinco anos a partir de 1º de janeiro de 2025. Essa medida cria um ambiente de negócios favorável e atrai investimentos de grande porte, posicionando o Brasil na vanguarda da economia do hidrogênio. A regulação abrange não apenas o hidrogênio verde (produzido por eletrólise da água com fontes renováveis), mas também outras rotas de baixa emissão, criando um ecossistema completo para a descarbonização.
Segundo André Maieski, sócio da Macke Consultoria, a nova regulação é fundamental para dar escala à produção. “O marco legal oferece a previsibilidade que os investidores precisavam para tirar os projetos do papel. Estamos falando de um mercado com potencial para transformar a matriz energética e industrial do Brasil. A consultoria especializada é crucial para que as empresas possam navegar neste novo ambiente regulatório e acessar os incentivos disponíveis, estruturando projetos que se beneficiem tanto dos créditos fiscais sobre a produção quanto da depreciação acelerada para novos equipamentos, maximizando o impacto de seus investimentos”, destaca.
A Vantagem Competitiva do Brasil e o Papel do BNDES e Finep
A principal vantagem competitiva do Brasil reside na abundância de recursos renováveis, que tornam o custo da energia elétrica, principal insumo da eletrólise, um dos mais baixos do mundo. O Roadmap Tecnológico de Hidrogênio da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) aponta que o custo nivelado de produção (LCOH) no Brasil pode atingir valores inferiores a US$ 1,50/kg até 2030, altamente competitivo no mercado global. Para capitalizar essa vantagem, o BNDES e a Finep são agentes centrais. O BNDES lançou uma chamada de R$ 10 bilhões para a neoindustrialização no Nordeste, com foco em hidrogênio verde, enquanto a Finep destinou R$ 60 milhões para um centro de pesquisa dedicado, fomentando o desenvolvimento de tecnologias de eletrólise, como a PEM (Membrana de Troca de Prótons), que, apesar de mais cara, oferece maior eficiência e flexibilidade.
Angelita Nepel, sócia da Macke Consultoria, ressalta a importância desses instrumentos financeiros. “Os recursos do BNDES e da Finep são essenciais para financiar desde a pesquisa básica em novas tecnologias de eletrólise até a implantação de plantas-piloto e projetos de grande escala. Vemos um alinhamento claro entre as políticas de fomento e as necessidades do setor. Nosso trabalho é conectar as empresas a essas oportunidades, estruturando projetos robustos e competitivos que não apenas atendam aos requisitos técnicos, mas que também demonstrem o impacto socioeconômico, contribuindo para o desenvolvimento de toda a cadeia produtiva do hidrogênio”, comenta.
Oportunidades para a Indústria Nacional e a Descarbonização
As oportunidades geradas pelo hidrogênio verde são vastas. Na indústria siderúrgica, ele pode substituir o coque metalúrgico na produção de ferro-gusa, viabilizando o “aço verde”. Na indústria química, é matéria-prima essencial para a produção de amônia e metanol verdes, insumos para fertilizantes e combustíveis sintéticos. No setor de transportes, pode abastecer frotas de caminhões, ônibus e navios, setores de difícil eletrificação. Além disso, o Brasil tem um potencial imenso para se tornar um hub de exportação, atendendo à crescente demanda de mercados como a Europa e a Ásia, que buscam descarbonizar suas economias.
Rosana Nishi, sócia da Macke Consultoria, afirma que a inovação é a chave para aproveitar essas oportunidades. “As empresas que investirem em pesquisa e desenvolvimento para otimizar a produção, o armazenamento e a aplicação do hidrogênio verde sairão na frente. Acreditamos que a inovação, aliada à sustentabilidade, é o caminho para o sucesso. A Macke Consultoria tem a expertise para apoiar as empresas na estruturação de projetos de P&D que não apenas atendam aos requisitos dos programas de fomento, mas que também gerem valor e competitividade no longo prazo, explorando sinergias entre os incentivos da Lei do Bem e os programas específicos para o setor”, afirma.
O avanço do hidrogênio verde no Brasil é um reflexo do compromisso do país com a transição energética e o desenvolvimento sustentável. Com um marco legal sólido, vantagens competitivas claras, investimentos crescentes e o apoio de instituições de fomento, o Brasil está preparado para liderar essa nova fronteira energética, gerando empregos, renda e inovação para a indústria nacional.