Entre a inovação incremental e a disrupção de alto risco, empresas passam a olhar para projetos estruturados de crescimento como alternativa estratégica para transformar investimento em competitividade

A inovação empresarial vive um momento de redefinição. Em artigo publicado na edição da Harvard Business Review, Regina E. Herzlinger, Duke Rohlen, Ben Creo e Will Kynes defendem que muitas companhias ficaram presas entre dois extremos: de um lado, melhorias incrementais de baixo risco; de outro, apostas disruptivas, caras e incertas. No centro desse debate surge o chamado “caminho do meio”, uma abordagem voltada a produtos, serviços e projetos capazes de gerar crescimento relevante sem exigir que a empresa abandone sua base operacional ou dependa apenas da aquisição de startups.
A tese dialoga diretamente com o atual cenário brasileiro de inovação, no qual empresas buscam combinar estratégia, execução, financiamento e segurança institucional. Para organizações que atuam em setores industriais, tecnológicos, energéticos, agroindustriais ou de serviços intensivos em conhecimento, a questão central deixa de ser apenas “como inovar” e passa a ser “o que deve ser tratado como inovação estratégica”.
Esse ponto é especialmente relevante porque o ambiente de fomento no Brasil também mudou de escala. A Macke Consultoria, especializada em Lei do Bem, captação de recursos e estruturação de projetos de PD&I, tem atuado justamente na interseção entre empresas, instrumentos públicos de financiamento e agendas corporativas de modernização. Em 2024, a consultoria movimentou aproximadamente R$ 2 bilhões em captação de recursos e incentivos fiscais destinados à inovação, por meio de instrumentos como Finep, BNDES e Lei do Bem, segundo publicação institucional da empresa.
O que é o “caminho do meio” da inovação
O artigo da Harvard Business Review parte de uma constatação: a inovação não precisa ser tratada apenas como pequenos ajustes em produtos existentes nem como uma ruptura total do mercado. Entre esses dois polos existe um espaço estratégico ocupado por iniciativas de crescimento que aproveitam capacidades já existentes da empresa, mas as direcionam para novas frentes de valor.
Esse caminho intermediário tende a ser relevante para companhias maduras, que possuem estrutura, base de clientes, capacidade técnica, canais comerciais e conhecimento regulatório, mas nem sempre conseguem transformar esses ativos em novas plataformas de crescimento. A inovação, nesse caso, não aparece como ruptura isolada, mas como expansão estruturada de competências.
Na prática, isso pode incluir novos produtos em mercados adjacentes, modernização de processos produtivos, digitalização industrial, tecnologias aplicadas à eficiência energética, soluções sustentáveis, novos modelos operacionais e desenvolvimento de capacidades internas de P&D. O ponto comum entre essas iniciativas é que elas não dependem apenas de uma ideia inovadora, mas de um desenho estratégico que conecte investimento, mercado, tecnologia e execução.
Por que esse debate importa para empresas brasileiras
No Brasil, o tema ganha relevância porque inovação deixou de ser uma agenda restrita aos departamentos técnicos. Ela passou a influenciar decisões de competitividade, acesso a crédito, política industrial, sustentabilidade e crescimento de longo prazo.
A Macke Consultoria se posiciona nesse contexto como uma ponte entre a intenção de inovar e a estruturação de projetos aptos a acessar instrumentos de fomento. A empresa afirma em seu site que atua na viabilização de planos estratégicos, projetos de inovação, modernização e expansão de negócios, com foco em mecanismos como Lei do Bem e captação de recursos financeiros.
Esse papel se tornou mais importante diante da ampliação e sofisticação das linhas públicas de apoio. A Finep, por exemplo, alterou condições de crédito para inovação em 2025, com novas regras, taxas, prazos e exigências. Publicações sobre o tema destacam que os financiamentos seguem conectados a projetos de pesquisa, desenvolvimento e inovação, mas exigem maior atenção ao enquadramento técnico, financeiro e estratégico.
Nesse ambiente, o “caminho do meio” não é apenas uma teoria de gestão. Ele se aproxima de uma necessidade prática: empresas precisam identificar quais projetos têm densidade suficiente para gerar crescimento, aderência institucional e retorno competitivo, sem depender exclusivamente de movimentos radicais ou de inovação pontual.
O que passa a ser inovação estratégica
A abordagem proposta pela Harvard Business Review ajuda a ampliar a compreensão sobre o que deve ser considerado inovação. Para empresas estabelecidas, inovação estratégica pode estar em projetos que conectam novos produtos, eficiência operacional, tecnologia aplicada, sustentabilidade, expansão produtiva e uso qualificado de capital.
Esse entendimento é importante porque muitos projetos empresariais ainda são vistos apenas como investimento operacional, modernização fabril ou atualização tecnológica. No entanto, quando há incerteza técnica, desenvolvimento de novas capacidades, aplicação de conhecimento científico ou tecnológico e potencial de ganho competitivo, essas iniciativas podem compor uma agenda estruturada de inovação.
É nesse ponto que instrumentos como Lei do Bem, Finep e BNDES ganham relevância. Eles podem transformar projetos de PD&I, modernização e expansão tecnológica em operações mais viáveis financeiramente, desde que exista coerência entre o objetivo empresarial, os critérios dos programas e a documentação técnica do projeto.
O papel da execução e dos impactos práticos
Embora a pauta esteja centrada no “o que” representa essa abordagem, a dimensão prática não pode ser ignorada. O caminho intermediário só se sustenta quando a empresa consegue transformar intenção estratégica em projeto executável, com objetivos claros, governança, cronograma, evidências técnicas e visão de impacto.
Um novo mapa para a inovação corporativa
Essa leitura também aproxima a discussão de agendas como neoindustrialização, transição energética, digitalização, produtividade e sustentabilidade. Em todos esses campos, há espaço para projetos que não são apenas incrementais, mas também não dependem de rupturas absolutas. São iniciativas de crescimento estruturado, com potencial de reposicionar empresas em seus mercados.
O debate apresentado pela Harvard Business Review reforça uma mensagem importante para lideranças empresariais: inovação não deve ser medida apenas pelo grau de ruptura, mas por sua capacidade de gerar valor, resolver problemas relevantes e criar novas fontes de crescimento.
Para empresas brasileiras, esse entendimento chega em um momento oportuno. O país amplia instrumentos de fomento, fortalece agendas ligadas à política industrial e exige maior sofisticação dos projetos apresentados a financiadores e programas de incentivo. Nesse cenário, a inovação passa a ser também uma questão de posicionamento estratégico.
O “caminho do meio” oferece uma lente útil para essa nova fase. Ele valoriza projetos com substância, conectados à realidade da empresa e capazes de usar competências já existentes como base para novos ciclos de crescimento. Para a Macke Consultoria, essa discussão reforça o papel de consultorias especializadas como agentes de conexão entre estratégia empresarial, instrumentos de fomento e execução de projetos de inovação.