Confiança digital: a inovação que acontece antes de qualquer tecnologia

O primeiro Dia Nacional da Proteção de Dados reforça uma transformação que já acontece dentro das empresas: segurança da informação deixou de ser apenas uma exigência regulatória e passou a fazer parte da estratégia de inovação e competitividade.

Nesta sexta-feira (17), o Brasil celebra pela primeira vez o Dia Nacional da Proteção de Dados, instituído pela Lei nº 15.254/2025 em homenagem ao professor Danilo Doneda, um dos principais idealizadores da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). A data marca um momento importante para consolidar a cultura de proteção de dados no país e reforça um debate que vem ganhando cada vez mais espaço dentro das organizações.

Ao mesmo tempo em que a Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD) amplia a transparência de sua Agenda Regulatória e anuncia novos eventos para discutir o futuro da regulação, o mercado também demonstra uma mudança de postura. Se, nos primeiros anos da LGPD, o foco estava na adequação jurídica, hoje a proteção de dados passou a integrar decisões ligadas à inovação, à transformação digital e ao desenvolvimento de novos produtos e serviços.

Da conformidade à inovação

Quando a LGPD entrou em vigor, muitas empresas concentraram seus esforços em revisar contratos, elaborar políticas de privacidade e estruturar programas de governança. Era um movimento natural diante de uma nova legislação.

Nos últimos anos, porém, o cenário mudou. O avanço da inteligência artificial, da computação em nuvem, da internet das coisas e das plataformas digitais fez com que segurança da informação deixasse de ser apenas uma preocupação do departamento jurídico ou da área de tecnologia. Ela passou a fazer parte do próprio desenvolvimento das soluções. Hoje, qualquer projeto que envolva dados precisa considerar aspectos de privacidade, rastreabilidade, segurança e governança desde sua concepção.

Essa mudança representa uma evolução importante. A proteção de dados deixou de ser apenas um mecanismo para reduzir riscos e passou a contribuir diretamente para a confiança do mercado, a competitividade das empresas e a adoção de novas tecnologias.

Tecnologia, segurança e desenvolvimento caminham juntos

À medida que os processos produtivos se tornam mais digitais, cresce também a necessidade de desenvolver soluções capazes de proteger informações críticas e garantir a confiabilidade dos sistemas. Ferramentas de autenticação, criptografia, monitoramento de ameaças, detecção de fraudes, gestão de identidade e inteligência artificial aplicada à segurança digital tornaram-se parte do cotidiano de empresas de diferentes setores.

Em muitos casos, essas soluções não são simplesmente adquiridas no mercado. Elas são desenvolvidas ou adaptadas internamente para atender necessidades específicas de cada organização, envolvendo integração de software, novos algoritmos, arquitetura de sistemas e resolução de desafios tecnológicos. É justamente nesse tipo de contexto que segurança da informação e inovação passam a caminhar lado a lado.

A relação com a Nova Indústria Brasil

Esse movimento também aparece na política industrial brasileira. A Nova Indústria Brasil estabeleceu como prioridade o fortalecimento da transformação digital, da indústria 4.0, da inteligência artificial e do Complexo Econômico-Industrial da Saúde. Embora esses temas pareçam distintos, todos compartilham um elemento comum: a necessidade de tratar dados de forma segura e confiável.

Não existe inteligência artificial sem dados. Não existe manufatura conectada sem sistemas seguros. Não existe saúde digital sem proteção das informações dos pacientes. Por isso, segurança da informação deixou de ser apenas um requisito operacional e passou a representar uma condição para que novas tecnologias sejam implementadas em larga escala.

Onde inovação e proteção de dados se encontram

Segundo André Maieski, sócio-fundador da Macke Consultoria, a evolução da proteção de dados acompanha a própria transformação digital da indústria.

“A transformação digital fez da proteção de dados um componente da estratégia de inovação. Hoje, segurança da informação, inteligência artificial e desenvolvimento de software caminham juntos na construção de soluções mais competitivas para as empresas.”

Na avaliação de Brendo Ribas, sócio da Macke Consultoria, muitas organizações ainda enxergam segurança apenas sob a ótica regulatória, quando ela também pode representar desenvolvimento tecnológico.

“Diversas empresas desenvolvem soluções próprias para ampliar a segurança da informação ou adaptar tecnologias às suas operações. Quando esse trabalho envolve desafios tecnológicos e geração de conhecimento, ele demonstra como proteção de dados e inovação podem caminhar juntas na construção de soluções mais robustas.”

Muito além do compliance

A criação do Dia Nacional da Proteção de Dados simboliza um momento importante para o país, mas também convida empresas a ampliar a forma como enxergam o tema. Em um ambiente cada vez mais digital, proteger dados significa preservar a confiança de clientes, parceiros e investidores, ao mesmo tempo em que cria as condições necessárias para desenvolver novas tecnologias com segurança.

Mais do que cumprir uma obrigação legal, investir em proteção de dados tornou-se parte da estratégia de empresas que pretendem inovar de forma sustentável. Afinal, na economia digital, confiança também é um ativo competitivo.

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