O cenário econômico de 2026 impõe um desafio claro para a indústria brasileira: o custo do capital permanece elevado.
De acordo com o estudo “Economia Brasileira 2025–2026”, da Confederação Nacional da Indústria (CNI), o país atravessa um ciclo de política monetária contracionista, com juros reais significativamente acima da taxa neutra e impacto direto sobre o investimento produtivo.

Com a Selic atualmente em 15% ao ano, o ambiente financeiro exige maior seletividade na alocação de capital e pressiona decisões estratégicas dentro das empresas.
Em paralelo, o relatório da CNI projeta desaceleração do crescimento industrial, com desempenho mais moderado da indústria de transformação em 2026, refletindo:
- custo elevado do capital;
- menor dinamismo da demanda;
- aumento da competição com importados;
- seletividade no crédito.
Esse ambiente reforça um ponto central: investir em inovação deixa de ser apenas uma decisão estratégica de longo prazo e passa a ser uma decisão financeira que exige estrutura.
A pergunta central deixa de ser “vale a pena inovar?” e passa a ser:
Como inovar com custo de capital elevado?
O impacto dos juros altos no investimento industrial
Ambientes de juros elevados produzem efeitos diretos:
- encarecem o crédito bancário;
- reduzem a disposição ao investimento;
- comprimem margens operacionais;
- elevam o custo de oportunidade do capital próprio.
Com o crédito para pessoas jurídicas operando em patamares elevados e com maior seletividade, muitas empresas tendem a postergar projetos de modernização, digitalização ou desenvolvimento tecnológico.
O risco dessa postura é claro: perder competitividade justamente em um momento em que produtividade e eficiência se tornam diferenciais críticos.
A Lei do Bem como instrumento de redução do custo efetivo do investimento
É nesse ambiente que a Lei do Bem ganha relevância ampliada.
Ao permitir deduções fiscais sobre dispêndios em Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação Tecnológica (PD&I), o incentivo reduz o IRPJ e a CSLL das empresas tributadas pelo Lucro Real.
Na prática, isso significa:
- redução direta da carga tributária;
- melhora do fluxo de caixa;
- diminuição do custo efetivo do projeto de inovação;
- aumento da taxa interna de retorno (TIR) do investimento.
Em um cenário de juros a 15%, qualquer mecanismo que reduza o custo líquido do capital investido passa a ter peso estratégico.
A inovação deixa de ser apenas um centro de custo e passa a ser estruturada como alavanca financeira.
Segundo André Maieski, sócio da Macke Consultoria, em cenários de capital caro, a diferença entre investir e postergar não está apenas no apetite ao risco, mas na estrutura financeira do projeto. “Quando os juros sobem, a inovação precisa ser tratada como arquitetura financeira. Incentivos como a Lei do Bem deixam de ser benefício acessório e passam a ser instrumento central de viabilidade.”
Para Brendo Ribas, sócio da Macke, a combinação entre captação estruturada e incentivo fiscal é o que permite preservar competitividade mesmo em ciclos restritivos. “Empresas que enxergam o incentivo fiscal como parte do planejamento financeiro reduzem risco e melhoram retorno.”
Juros altos exigem engenharia financeira
Empresas que desejam manter competitividade em 2026 precisam combinar três frentes:
1️⃣ Captação estruturada de recursos direcionados
Linhas como BNDES Mais Inovação e instrumentos da Finep oferecem condições mais favoráveis do que o crédito tradicional.
2️⃣ Aproveitamento estratégico da Lei do Bem
Redução do impacto tributário dos dispêndios em inovação.
3️⃣ Planejamento integrado do projeto
Estruturação técnica e financeira que maximize elegibilidade, conformidade e retorno.
Essa combinação reduz o custo efetivo do capital e melhora a sustentabilidade financeira do projeto mesmo em ambiente contracionista.
A Lei do Bem, quando corretamente aplicada, não é apenas um benefício tributário — é um mecanismo de redução de risco e proteção de retorno em ambientes de capital caro.
O estudo da CNI deixa claro que o ambiente econômico atual combina juros elevados, crescimento moderado e maior cautela no crédito.
Nesse contexto, a Lei do Bem não deve ser vista apenas como benefício fiscal, mas como instrumento de engenharia financeira capaz de reduzir risco e proteger retorno em ciclos de capital caro.
Transformar incentivo em estratégia
Em 2026, inovar continua sendo essencial.
Empresas que combinarem:
- incentivo fiscal,
- crédito direcionado,
- governança de PD&I,
- estratégia financeira integrada,
estarão mais preparadas para enfrentar um ambiente de juros elevados sem comprometer crescimento de longo prazo.
Fale com a Macke e saiba como podemos apoiar sua empresa.