Bancos e agências de fomento: o que são e como funcionam

Agências e bancos de fomento são instituições financeiras especializadas em prover suporte financeiro e técnico para o desenvolvimento econômico em diversas áreas. Elas se diferenciam das instituições bancárias tradicionais pelo foco em investimentos de longo prazo e pelo apoio a setores específicos da economia, como indústria, agricultura, infraestrutura e inovação tecnológica. Aqui estão algumas características principais de cada uma:

Agências de Fomento

  • Foco Regional: Normalmente, essas agências operam em níveis estaduais ou regionais, focando no desenvolvimento econômico local. A Finep, porém, é uma agência de fomento com abrangência nacional.
  • Fontes de Recursos: Elas podem captar recursos por meio de parcerias com governos estaduais, instituições multilaterais ou através da emissão de títulos no mercado financeiro.
  • Suporte Técnico e Financeiro: Além de oferecer empréstimos e financiamentos, as agências de fomento também podem prover suporte técnico para a implementação de projetos, visando a sustentabilidade econômica e ambiental.

Bancos de Fomento

  • Abrangência Maior: Bancos de fomento, como o BNDES no Brasil, operam em nível nacional e têm capacidade de influenciar políticas econômicas em grande escala.
  • Capitalização: São frequentemente capitalizados pelo governo federal, o que permite que ofereçam condições de financiamento mais favoráveis, como juros mais baixos e prazos mais longos.
  • Diversidade de Produtos: Oferecem uma variedade de produtos financeiros, incluindo financiamentos de longo prazo, garantias, participação acionária em projetos, entre outros.
  • Papel Estratégico: Têm papel importante no planejamento e execução de políticas públicas para o desenvolvimento econômico e social.

Ambos os tipos de instituições são fundamentais para promover a expansão econômica e a modernização de setores estratégicos, visando não apenas o retorno financeiro, mas também o desenvolvimento social e ambiental sustentável.

Histórico no Mundo 

Globalmente, o conceito de banco de desenvolvimento surgiu na França no século XIX e ganhou força após a Segunda Guerra Mundial. O objetivo era corrigir falhas de mercado, como a escassez de crédito de longo prazo e promover setores com retorno social elevado.

Entre os principais bancos de desenvolvimento mundiais estão o BNDES, o Banco de Desenvolvimento da China (CDB), o Banco de Desenvolvimento da Coreia (KDB), o Kreditanstalt für Wiederaufbau (KfW) da Alemanha, e o Ziraat Bankası da Turquia.

Estes bancos têm sido fundamentais, não só no financiamento de infraestrutura e inovação tecnológica, mas também como atores decisivos em resposta a crises financeiras, como a de 2008 – período em que houve grande crescimento da quantidade destes bancos. Eles oferecem soluções inovadoras que impulsionam o desenvolvimento sustentável e desempenham um papel essencial na recuperação econômica global.

Leia também: O Papel do Estado na Inovação

Importância

Os bancos de desenvolvimento têm papel fundamental na evolução econômica global, atuando em frentes diversas que vão desde o financiamento de infraestrutura até o estímulo à inovação tecnológica.

Um exemplo emblemático dessa atuação é o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), no Brasil. Este banco tem sido uma peça-chave na industrialização e na construção da infraestrutura do país, fornecendo recursos fundamentais para o desenvolvimento de setores estratégicos e para a modernização de áreas essenciais. A função dos bancos de desenvolvimento, portanto, estende-se muito além do suporte financeiro, impactando diretamente no crescimento e na competitividade das nações.

BID

O Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) é uma organização financeira internacional com sede na cidade de Washington, EUA, criada no ano de 1959 com o propósito de financiar projetos de desenvolvimento econômico, social e institucional e promover a integração comercial regional na área da América Latina e o Caribe.

As áreas atuais de intervenção do banco incluem três desafios de desenvolvimento: inclusão social e equidade, produtividade e inovação e integração económica – e três temas transversais – igualdade de género, mudança climática e sustentabilidade do meio ambiente, e capacidade institucional do estado e estado de direito.

O BID tem como prioridades a redução da desigualdade e a melhoria dos serviços públicos, incluindo a eficiência nos gastos das administrações. Em sua estratégia, dá destaque à cobertura e qualidade da educação, sua integração com o mercado de trabalho e o aperfeiçoamento da contratação e formação do corpo docente – dentro do cumprimento das metas definidas pelo Plano Nacional de Educação (PNE) até 2024.

Alemanha

O Kreditanstalt für Wiederaufbau (KfW), especificamente, é um dos maiores bancos da Alemanha e desempenhou um papel central na resposta à crise de 2008, trabalhando em conjunto com o governo alemão. Durante a crise global, o KfW expandiu suas operações para fornecer liquidez ao mercado e financiar não apenas a recuperação econômica, mas também promover inovações tecnológicas e sustentabilidade. Este papel anticíclico incluiu medidas para estabilizar o mercado financeiro e incentivar o investimento em áreas estratégicas para o desenvolvimento econômico a longo prazo.

Esses bancos de desenvolvimento, mesmo em economias avançadas com mercados financeiros sólidos, são de extrema importância devido à capacidade de responder rapidamente a crises econômicas e apoiar políticas de desenvolvimento sustentável. A experiência do KfW demonstra como essas instituições podem efetivamente complementar os esforços do setor privado, promovendo inovação e crescimento econômico, além de estabilidade financeira em períodos de incerteza econômica.

China

Os bancos de desenvolvimento têm papel fundamental em economias emergentes como na Ásia, África e América Latina. A China, em particular, é mencionada como um caso notável, pois atua agressivamente no financiamento de projetos nacionais e internacionais, especialmente em infraestrutura.

A expansão global dos bancos de fomento chineses, particularmente o Banco de Desenvolvimento da China (CDB) e o Banco de Exportação e Importação da China (EXIM Bank), está redefinindo o panorama dos financiamentos internacionais e regionais. Estas instituições têm se tornado influentes na arquitetura financeira mundial, um papel que se tornou ainda mais importante após a crise financeira de 2008. Diante dos desafios econômicos que surgiram, os bancos de desenvolvimento emergiram como agentes essenciais, oferecendo soluções inovadoras para impulsionar o desenvolvimento sustentável. Este papel central na resposta às crises sublinha a importância estratégica destes bancos no suporte à recuperação e crescimento econômicos globais.

Histórico no Brasil

O Brasil possui duas principais instituições de fomento: Finep e BNDES.
Eles foram criados para incentivar a industrialização e inovação no Brasil, auxiliando o crescimento e desenvolvimento econômico.

Em 1952, o BNDES foi criado com foco em infraestrutura, com o objetivo de ser o órgão formulador e executor da política nacional de desenvolvimento, para alavancar a economia nacional. Em 1960, foi expandida para outras áreas as linhas de crédito dentro do banco.

Durante a década de 1970, se tornou uma empresa pública e desempenhou grande papel no I Plano Nacional de Desenvolvimento, período de grande crescimento econômico. Nas décadas seguintes, passou a atuar em diversos campos, desenvolvendo novas políticas visando a responsabilidade ambiental e social e buscando incentivar o investimento.

A Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) surgiu em 1967 como uma Empresa Pública vinculada ao Ministério de Planejamento, destinado a financiar os estudos e programas necessários à definição dos projetos de modernização e industrialização e conta com recursos do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e da United States Agency for International Development (USAID). A Finep passou a ser vinculada com o Ministério da Ciência e Tecnologia (MCTI) após a sua criação em 1985.

O Brasil e o Vietnã são os países com a maior quantidade de bancos de fomento atualmente, com 21 instituições cada, seguidos por EUA com 13, Malásia e Paquistão com 11, e Alemanha com 10 instituições de fomento. A ferramenta revela também que a quantidade de bancos de fomento tende a acompanhar o perfil de renda dos países.

Macke Consultoria

A Macke Consultoria, com mais de 15 anos de experiência, tem sido uma parceira estratégica de empresas no processo de captação de financiamentos junto a instituições de fomento brasileiras.

A equipe multidisciplinar da Macke auxilia empresas em todas as etapas, desde os projetos, relatórios, até o pós-venda. Com a Macke, todos os procedimentos e prestação de contas são realizados de maneira assertiva, o que contribui com a aprovação dos financiamentos e fortalece a credibilidade das empresas perante os financiadores.

A Macke acumula mais de R$ 6 bilhões captados para planos de modernização e inovação tecnológica no Brasil.

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