Indústria em 2026: eficiência e incentivos como diferencial competitivo

O cenário econômico de 2026 consolida um ambiente mais restritivo para o setor produtivo brasileiro.

De acordo com o estudo Economia Brasileira 2025–2026, da Confederação Nacional da Indústria (CNI), o país atravessa um ciclo de política monetária contracionista, com juros reais elevados e impacto direto sobre investimento, crédito e desempenho industrial.

As projeções indicam crescimento moderado da indústria, especialmente da indústria de transformação, que deve avançar em ritmo inferior a 1% — refletindo custo elevado do capital, desaceleração da demanda e maior competição com importados.

Em um ambiente como esse, investir deixa de ser uma decisão automática.
Passa a exigir engenharia financeira.

Crescimento menor, pressão maior

O relatório da CNI evidencia que o ciclo atual combina:

  • juros elevados e restrição monetária;
  • desaceleração das concessões de crédito;
  • menor dinamismo industrial;
  • ambiente de maior cautela empresarial.

Diante desse cenário, muitas empresas optam por preservar caixa e postergar projetos de inovação.

O problema é que essa estratégia pode gerar perda de competitividade estrutural — especialmente em setores que exigem atualização tecnológica constante.

Inovação em ciclos contracionistas: risco ou vantagem estratégica?

Historicamente, empresas que mantêm investimentos em produtividade durante ciclos econômicos restritivos tendem a sair fortalecidas na retomada.

Isso ocorre porque:

  • ampliam eficiência operacional;
  • reduzem custos unitários;
  • modernizam processos;
  • consolidam diferenciação tecnológica.

O risco está em investir sem estrutura financeira adequada.

O verdadeiro desafio: custo do capital

Com a Selic em patamar elevado em 2026, o custo do capital próprio e de terceiros permanece pressionado.

Projetos de inovação precisam demonstrar não apenas relevância estratégica, mas viabilidade financeira consistente.

Nesse contexto, dois instrumentos ganham centralidade:

  • captação estruturada de recursos direcionados
  • Lei do Bem

Segundo Brendo Ribas, sócio da Macke Consultoria, ciclos de crescimento moderado exigem disciplina estratégica. “Em momentos de pressão sobre margens, o investimento precisa ser financeiramente inteligente. Não é apenas sobre inovar, é sobre estruturar o projeto para que ele seja viável mesmo em ambiente restritivo.”

Para André Maieski, sócio da Macke, a diferença competitiva em 2026 está na integração entre instrumentos. “Captação direcionada e Lei do Bem não devem ser tratados de forma isolada. Quando estruturados de maneira integrada, reduzem o custo efetivo do capital e aumentam a previsibilidade do retorno”, afirma.

Captação direcionada como alternativa ao crédito tradicional

Enquanto o crédito bancário convencional se torna mais caro e seletivo, linhas de fomento ganham importância estratégica.

Programas como:

  • BNDES Mais Inovação
  • Instrumentos da Finep
  • Estruturas híbridas de financiamento tecnológico

podem oferecer condições mais favoráveis, prazos compatíveis com ciclos de desenvolvimento e taxas menos impactadas pelo ciclo monetário.

Mas o acesso exige:

  • projeto técnico bem estruturado;
  • aderência às diretrizes de política industrial;
  • modelagem financeira sólida.

Lei do Bem: inovação com redução do custo tributário

Paralelamente, a Lei do Bem atua como mecanismo direto de redução do custo líquido do investimento.

Ao permitir dedução adicional de dispêndios em PD&I na base de cálculo de IRPJ e CSLL, o incentivo:

  • melhora fluxo de caixa;
  • reduz carga tributária;
  • eleva a taxa interna de retorno do projeto;
  • diminui o risco financeiro.

Em ambiente contracionista, essa redução do custo efetivo pode ser decisiva para manter investimentos que, de outra forma, seriam adiados.

A estratégia vencedora: combinar instrumentos

O estudo da CNI deixa claro que o ciclo atual exige disciplina e estrutura.

Empresas que combinam:

✔ captação direcionada
✔ incentivo fiscal
✔ governança técnica de PD&I
✔ planejamento financeiro integrado

reduzem o custo do capital e preservam competitividade mesmo em ambiente de desaceleração industrial.

Esperar a retomada pode custar caro

Postergar inovação até que o cenário macroeconômico se torne mais favorável pode significar:

  • atraso tecnológico;
  • perda de mercado;
  • maior dificuldade de recuperação futura.

Ciclos econômicos são inevitáveis.
Capacidade de estruturar investimentos em qualquer cenário é o verdadeiro diferencial competitivo.

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