Economia Circular e a Lei do Bem: Uma combinação estratégica para o futuro

Inovar para reduzir resíduos, reutilizar materiais e regenerar ecossistemas não é apenas uma demanda do planeta, mas uma grande oportunidade de negócio. Descubra como a Lei do Bem pode financiar seus projetos de P&D em economia circular e posicionar sua empresa na vanguarda da sustentabilidade.

O modelo econômico linear, baseado na extração de recursos, produção, consumo e descarte, está com os dias contados. A crescente pressão por sustentabilidade, somada à escassez de recursos naturais, impulsiona a transição para uma economia circular — um sistema regenerativo onde o valor dos produtos, materiais e recursos é mantido em circulação pelo maior tempo possível. Para as empresas brasileiras, essa transição não é apenas um desafio, mas uma imensa oportunidade de inovação, e a Lei do Bem se apresenta como o principal instrumento para financiar essa jornada.

O livro “Lei do Bem: Duas Décadas de Fomento à Inovação no Brasil“, da ABES, aponta a “inovação sustentável” e a “Agenda 2030” como temas transversais que ganharam força ao longo dos 20 anos da lei. Hoje, no contexto da Nova Indústria Brasil (NIB), a economia circular está no centro de missões estratégicas como a de bioeconomia e descarbonização, tornando os projetos de P&D nessa área altamente prioritários.

O que é Inovação em Economia Circular?

Inovar em economia circular vai muito além de simplesmente reciclar. Trata-se de repensar todo o ciclo de vida de um produto, desde o seu design até o seu descarte. Os projetos de PD&I elegíveis para a Lei do Bem podem abranger uma vasta gama de atividades, como:

  • Desenvolvimento de novos materiais: Criação de bioplásticos, materiais compostos a partir de resíduos ou produtos com maior durabilidade e facilidade de desmontagem.
  • Ecodesign de produtos: Redesenhar produtos para que consumam menos recursos em sua produção, sejam mais fáceis de reparar e cujos componentes possam ser facilmente reutilizados ou reciclados no final da vida útil.
  • Novos processos produtivos: Desenvolvimento de tecnologias para reduzir o consumo de água e energia, reaproveitar efluentes ou transformar resíduos de um processo em matéria-prima para outro.
  • Modelos de negócio inovadores: Criação de plataformas de compartilhamento, sistemas de logística reversa ou modelos de “produto como serviço”, onde o cliente paga pelo uso e não pela posse do produto.

Para André Maieski, sócio da Macke Consultoria, o campo da economia circular é um oceano de oportunidades para a inovação. “Quase todo processo produtivo existente pode ser repensado sob a ótica da circularidade. Isso abre um leque gigantesco para projetos de PD&I que são, em sua essência, elegíveis para a Lei do Bem. O desafio para as empresas é mudar o mindset e começar a enxergar seus resíduos não como um problema, mas como uma fonte de novas receitas e de inovação.”

A Lei do Bem como Motor da Transição Circular

Desenvolver essas inovações exige investimentos significativos em pesquisa, testes e prototipagem. É aqui que a Lei do Bem se torna uma aliada estratégica. Ao permitir a dedução de até 80% dos dispêndios com PD&I da base de cálculo de impostos, a lei reduz drasticamente o custo de investir em projetos de economia circular, tornando-os financeiramente muito mais viáveis.

Um projeto para desenvolver uma nova embalagem compostável, por exemplo, envolve custos com pesquisadores, materiais, testes de laboratório e protótipos. Todos esses são dispêndios elegíveis para a Lei do Bem. Ao utilizar o incentivo, a empresa pode reduzir o custo líquido desse investimento em mais de 30%, acelerando o desenvolvimento e a chegada da solução ao mercado.

“A Lei do Bem pode ser o catalisador que faltava para muitas empresas tirarem seus projetos de sustentabilidade do papel”, afirma Brendo Ribas, sócio da Macke Consultoria. “Muitas vezes, o ROI de um projeto de economia circular não é tão imediato quanto o de um novo produto, o que pode desencorajar o investimento. A Lei do Bem, ao reduzir o custo inicial, melhora o cálculo do ROI e justifica a aposta em inovações com um horizonte de maturação mais longo, mas com um impacto estratégico e reputacional imenso.”

Alinhamento Estratégico com a Nova Indústria Brasil (NIB)

A oportunidade se torna ainda maior quando consideramos o alinhamento da economia circular com as missões da NIB. Projetos que promovem a circularidade estão diretamente ligados à Missão 5 (Bioeconomia, descarbonização e transição energética) e à Missão 1 (Cadeias agroindustriais sustentáveis). Esse alinhamento estratégico não só fortalece o pleito para a Lei do Bem, como abre portas para acessar os recursos do BNDES e da Finep, que estão sendo direcionados para essas áreas.

Angelita Nepel, sócia da Macke Consultoria, destaca a importância dessa sinergia. “Uma empresa que desenvolve um projeto de P&D em economia circular hoje está, na prática, surfando a maior onda de fomento à inovação das últimas décadas. Ela consegue combinar o benefício fiscal da Lei do Bem com o acesso a crédito subsidiado da NIB. É uma combinação poderosa que pode acelerar a transição da empresa para um modelo de negócio mais sustentável e, ao mesmo tempo, mais lucrativo e competitivo.”

O futuro é circular, e as empresas que liderarem essa transição serão as mais bem-sucedidas da próxima década. A Lei do Bem, com seus 20 anos de história e sua comprovada eficácia, se consolida como a ferramenta ideal para financiar a pesquisa e o desenvolvimento que transformarão os desafios da sustentabilidade nas maiores oportunidades de inovação do nosso tempo.

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