Crédito desacelera em 2026. Mas onde estão as oportunidades?

O ambiente de 2026 consolida uma mudança importante na lógica do financiamento empresarial no Brasil.

De acordo com o estudo Economia Brasileira 2025–2026, da Confederação Nacional da Indústria (CNI), o ciclo de juros elevados impacta diretamente a dinâmica do crédito, com desaceleração das concessões e maior seletividade por parte das instituições financeiras.

O resultado é claro: o crédito tradicional se torna mais caro e mais restrito.

Crédito desacelera, mas não desaparece

O relatório da CNI indica que o ambiente monetário restritivo reduz o ritmo de expansão do crédito, especialmente para empresas.

Em um contexto de Selic elevada e maior cautela bancária, o capital privado tende a priorizar operações de menor risco e retorno mais previsível.

Para a indústria, isso significa:

  • maior dificuldade de financiamento via bancos comerciais;
  • exigências mais rigorosas de garantias;
  • prazos mais curtos e custos mais elevados.

Diante disso, muitas empresas interpretam o cenário como uma retração generalizada das fontes de financiamento.

Essa interpretação, no entanto, ignora um ponto relevante.

O crédito mudou de canal

Enquanto o crédito tradicional desacelera, os instrumentos de fomento e crédito direcionado ganham relevância estratégica.

Linhas como:

  • BNDES Mais Inovação
  • Instrumentos da Finep
  • Programas estruturados de apoio à modernização industrial

continuam operando com foco em desenvolvimento produtivo, inovação e competitividade.

Em um cenário de capital caro, esses instrumentos deixam de ser alternativa secundária e passam a ocupar posição central na estratégia financeira da empresa.

Estruturar para acessar

Segundo André Maieski, sócio da Macke Consultoria, o erro comum é tratar crédito direcionado como solução pontual.

“O acesso a recursos direcionados não depende apenas da necessidade de capital. Depende da estrutura técnica e financeira do projeto. Empresas que se preparam estrategicamente ampliam significativamente suas chances de aprovação.”

Para Rosana Nishi, sócia da Macke, governança e organização documental são fatores determinantes.

“O financiamento estruturado exige clareza de escopo, consistência orçamentária e alinhamento com diretrizes de política industrial. A preparação prévia é o que diferencia projetos viáveis de projetos recusados.”

Em outras palavras, a oportunidade existe — mas exige método.

Há 16 anos estruturando acesso a capital produtivo

Há 16 anos, a Macke Consultoria apoia empresas brasileiras na estruturação técnica, financeira e estratégica de projetos de inovação e captação de recursos.

Ao longo desse período, acompanhamos diferentes ciclos econômicos — de expansão a restrição monetária — e uma constante permanece: empresas que estruturam seus projetos com método acessam capital com mais previsibilidade.

Segundo André Maieski, o cenário atual não elimina oportunidades, apenas exige maior preparação.

“Ciclos de capital seletivo favorecem empresas estruturadas. A diferença está na organização do projeto, na clareza financeira e na integração entre incentivo fiscal e captação.”

Essa experiência acumulada permite identificar, mesmo em ambientes de maior cautela, onde estão as fontes viáveis de financiamento e como maximizar sua utilização com segurança técnica e regulatória.

Lei do Bem como complemento estratégico

Além da captação direcionada, a Lei do Bem atua como instrumento complementar de redução do custo efetivo do investimento.

Ao possibilitar dedução adicional de dispêndios em PD&I na base de IRPJ e CSLL, o incentivo:

  • melhora fluxo de caixa;
  • reduz carga tributária;
  • aumenta retorno financeiro do projeto;
  • diminui risco em ambiente de juros elevados.

Quando combinados, crédito direcionado e incentivo fiscal criam uma estrutura mais resiliente para financiar inovação mesmo em ciclos de capital seletivo.

Oportunidade em meio à seletividade

Ambientes de maior seletividade financeira tendem a favorecer empresas mais estruturadas.

Organizações que:

  • possuem governança de PD&I;
  • estruturam projetos com clareza técnica;
  • organizam documentação e indicadores;
  • integram incentivo fiscal à modelagem financeira;

têm maior capacidade de acessar recursos e preservar competitividade.

O cenário de 2026 não elimina oportunidades de financiamento.

2026 exige estratégia integrada

O estudo da CNI aponta desaceleração do crédito tradicional, mas o ambiente de política industrial mantém instrumentos voltados ao fortalecimento produtivo.

Empresas que enxergam esse movimento de forma estratégica não veem apenas restrição — veem reconfiguração.

Captação estruturada e Lei do Bem, quando tratadas como parte de uma estratégia integrada, reduzem custo do capital e ampliam previsibilidade financeira.

Em um ambiente de capital seletivo, a estrutura é a nova vantagem competitiva.

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