O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) intensificou o apoio ao setor de metalurgia no Brasil nos últimos anos. Segundo dados divulgados pelo próprio Banco, desde 2023 já foram aprovados R$ 13,1 bilhões em crédito para financiar a indústria metalúrgica no país. O volume é 248% superior ao total aprovado entre 2019 e 2022, período em que os desembolsos somaram R$ 3,8 bilhões.

Para André Maieski, sócio-fundador da Macke Consultoria, o aumento do crédito aprovado para metalurgia sinaliza uma retomada clara da indústria de base na agenda de desenvolvimento. “O aumento do crédito aprovado para metalurgia mostra que a indústria de base voltou ao centro da política de desenvolvimento produtivo. Para as empresas, isso amplia a oportunidade de acelerar investimentos estruturantes, principalmente em modernização tecnológica, eficiência e inovação aplicada”, afirma.
A tendência se consolidou em 2025. Apenas no último ano, o montante aprovado pelo BNDES foi de R$ 8 bilhões, o segundo maior resultado da série histórica, atrás apenas de 2008, quando foram aprovados R$ 10,4 bilhões.
Em comunicado oficial, o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, destacou que os financiamentos para o setor, com ênfase na siderurgia, são fundamentais para fortalecer a indústria de base no país, conectada a uma ampla cadeia produtiva que abastece segmentos estratégicos, como os setores automotivo e tecnológico.
Metalurgia como indústria estratégica
A metalurgia é considerada uma atividade estruturante da economia brasileira por sustentar cadeias produtivas extensas e altamente integradas. Além de ser fornecedora direta de insumos essenciais, como aço e ligas metálicas, também é base para setores com alto impacto no PIB industrial, na geração de emprego e no desempenho exportador.
Nesse contexto, o aumento do crédito não representa apenas maior volume de financiamento, mas um sinal de fortalecimento da indústria de base em um momento de retomada de investimentos produtivos e reposicionamento de prioridades na política industrial brasileira.
Oportunidade para inovação e transição energética
A ampliação do apoio ocorre em um cenário em que o setor enfrenta desafios relevantes e simultâneos. A metalurgia tem sido pressionada a aumentar competitividade e reduzir custos, ao mesmo tempo em que precisa acelerar investimentos em eficiência energética e sustentabilidade, especialmente diante de demandas crescentes por redução de emissões e rastreabilidade na cadeia produtiva.
Esse movimento abre espaço para projetos de modernização tecnológica com foco em:
- automação e digitalização de processos industriais;
- aumento de eficiência e redução de desperdícios;
- integração de dados, sensoriamento e controle avançado de produção;
- tecnologias para redução de impacto ambiental e consumo energético.
Dessa forma, o financiamento de longo prazo passa a ser um elemento-chave para viabilizar investimentos industriais robustos, com retorno estruturante para produtividade e competitividade.
Estruturação de projetos como diferencial competitivo
Para empresas do setor metalúrgico, o cenário também reforça a importância de organizar projetos com clareza técnica e visão estratégica. Além de capturar oportunidades de financiamento, companhias que estruturam seus investimentos com planejamento, indicadores e rastreabilidade tendem a criar condições melhores para execução, governança e obtenção de resultados consistentes.
Na avaliação da Macke Consultoria, o momento é especialmente relevante para empresas que buscam acelerar investimentos em inovação aplicada, pois iniciativas de engenharia e desenvolvimento tecnológico podem ser conectadas a diferentes instrumentos de apoio, incluindo mecanismos fiscais voltados a Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I), como a Lei do Bem.
A articulação entre financiamento e inovação tem potencial para reduzir riscos, ampliar previsibilidade e acelerar ciclos de modernização, especialmente em setores de base com grande peso industrial e capacidade de encadeamento produtivo.
Um novo ciclo para a indústria de base
A retomada do volume de crédito aprovado para metalurgia indica que o país pode estar entrando em um novo ciclo de investimentos voltados à reconstrução de capacidades industriais, com foco em competitividade, sustentabilidade e tecnologia.
Para as empresas, o desafio não se limita a acessar recursos, mas sim direcioná-los de forma eficiente para projetos estruturantes — combinando modernização produtiva, inovação aplicada e governança de investimento. Em um ambiente cada vez mais competitivo, esse alinhamento pode representar vantagem estratégica tanto no mercado interno quanto na disputa por cadeias globais.