A NIB está mobilizando R$ 300 bilhões em investimentos estratégicos. Entenda como alinhar seus projetos de P&D às 6 missões da nova política industrial e acessar os recursos disponíveis via BNDES, Finep e Lei do Bem.

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Lançada em 2024, a Nova Indústria Brasil (NIB) representa a mais ambiciosa estratégia de desenvolvimento produtivo do país das últimas décadas. Com a meta de mobilizar R$ 300 bilhões em investimentos até 2026, a NIB não é apenas um plano, mas uma nova bússola que orienta a aplicação de recursos públicos e privados para a inovação. Para empresas que buscam se manter na vanguarda tecnológica, compreender como essa política impacta o acesso a instrumentos de fomento como a Lei do Bem, e a financiamentos do BNDES e da Finep, é fundamental.
A NIB não cria um novo fundo, mas estabelece um direcionamento estratégico para os recursos já existentes. Seu objetivo é claro: adensar as cadeias produtivas nacionais, fortalecer a soberania tecnológica e posicionar o Brasil como líder em áreas estratégicas. Para o setor empresarial, isso significa que projetos de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I) alinhados às prioridades da NIB terão acesso facilitado a um ecossistema de fomento mais robusto e coordenado.
As 6 Missões da NIB: O Mapa para a Inovação
O coração da Nova Indústria Brasil são suas seis missões, que funcionam como um mapa para orientar os investimentos em inovação. Cada missão aborda um desafio-chave para o desenvolvimento do país, criando um roteiro claro para as empresas que desejam contribuir e, ao mesmo tempo, se beneficiar dos recursos disponíveis.
As missões são:
- Cadeias agroindustriais sustentáveis e digitais: Foco em segurança alimentar e energética, com ênfase em tecnologias que aumentem a produtividade e a sustentabilidade.
- Complexo econômico e industrial da saúde: Reduzir a vulnerabilidade do SUS e ampliar o acesso a tratamentos, com foco em produtos farmacêuticos e equipamentos médicos.
- Infraestrutura, saneamento, moradia e mobilidade sustentáveis: Foco em cidades mais resilientes e de melhor qualidade de vida, impulsionando a inovação na construção civil e em serviços urbanos.
- Transformação digital da indústria: Aumentar a digitalização das empresas para elevar a produtividade, com foco em tecnologias como Indústria 4.0 e inteligência artificial.
- Bioeconomia, descarbonização e transição energética: Promover uma economia mais verde, com foco em energias renováveis, novos combustíveis e o uso sustentável da biodiversidade.
- Tecnologias de interesse para a soberania e defesa nacionais: Fortalecer a capacidade tecnológica em setores estratégicos como defesa, aeroespacial e nuclear.
Segundo André Maieski, sócio da Macke Consultoria, “as missões da NIB são um farol para o setor privado. Elas sinalizam onde o governo concentrará seus esforços e recursos. Para as empresas, alinhar um projeto de P&D a uma dessas missões não é apenas uma questão de compliance, mas uma decisão estratégica que aumenta exponencialmente a atratividade do projeto para os agentes de fomento”.
Conectando os Pontos: NIB, Lei do Bem, BNDES e Finep
O grande mérito da NIB é articular os diferentes instrumentos de fomento que antes operavam de forma mais fragmentada. Agora, Lei do Bem, BNDES e Finep trabalham sob a mesma diretriz estratégica, criando um fluxo mais coeso e eficiente para o financiamento da inovação.
- Lei do Bem: Embora a Lei do Bem não exija um alinhamento explícito com a NIB para a fruição dos benefícios fiscais, projetos que demonstram essa conexão ganham maior robustez e segurança jurídica. A análise de um projeto de PD&I que contribui para uma das seis missões torna-se mais clara e objetiva, reduzindo o risco de questionamentos futuros.
- BNDES e Finep: Aqui o impacto é ainda mais direto. As chamadas públicas e os programas de financiamento, como o Mais Inovação Brasil, já estão sendo desenhados para priorizar projetos alinhados às missões da NIB. Desde 2023, as duas instituições já aprovaram mais de R$ 57 bilhões em crédito para projetos de digitalização e sustentabilidade, refletindo essa nova orientação.
Rosana Nishi, sócia da Macke Consultoria, enfatiza a importância de uma abordagem integrada. “Não se pode mais pensar na Lei do Bem de forma isolada. Ao estruturar um projeto, a empresa deve se perguntar: ‘Como esta inovação contribui para as missões da NIB?’. Essa resposta não só fortalece o pleito para a Lei do Bem, mas também abre portas para captar recursos complementares via BNDES e Finep, otimizando a estrutura de capital do projeto.”
O Papel do Especialista na Era da NIB
Com a crescente complexidade e articulação do ecossistema de fomento, o papel de uma consultoria especializada torna-se ainda mais crucial. A tarefa de identificar a melhor combinação de instrumentos, preparar a documentação técnica e demonstrar o alinhamento estratégico com a NIB exige um conhecimento que muitas empresas não possuem internamente.
Um especialista pode mapear as oportunidades, traduzir o potencial técnico de um projeto em uma linguagem que os agentes de fomento compreendam e, principalmente, construir uma narrativa que conecte a inovação da empresa aos grandes objetivos do país. Esse trabalho maximiza as chances de sucesso na captação de recursos e garante que a empresa aproveite todo o potencial dos incentivos disponíveis.
Brendo Ribas, sócio da Macke Consultoria, conclui: “A Nova Indústria Brasil é um convite para as empresas sonharem grande e se alinharem a um projeto de país. Nosso papel é garantir que a burocracia e a complexidade do sistema não sejam um obstáculo para a realização desses sonhos. Transformamos boas ideias em projetos bem estruturados e financiáveis, conectando a inovação que nasce no chão de fábrica com os recursos disponíveis nas agências de fomento.”
Para as empresas brasileiras, a mensagem é clara: a Nova Indústria Brasil não é apenas uma política de governo, mas uma oportunidade de mercado. Aquelas que souberem navegar neste novo cenário, alinhando suas estratégias de inovação às missões nacionais, estarão mais preparadas para crescer, competir e liderar a economia do futuro.